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Ficar ou Não em Casa?

Epidemia e empatia.

De um lado, as vozes dizem: fique em casa! Fique em casa, a qualquer custo, pois o “se puder”, quer dizer: a não ser que haja necessidade real de ir à rua ou que se trabalhe em um serviço considerado essencial para o país. Quem não faz isso, não está pensando nos outros e será culpado se muita gente morrer. O sistema de saúde não aguenta, se muitas pessoas precisarem de respiradores ao mesmo tempo. Enfim, esses e outros argumentos de quem está desse lado são válidos e dignos de respeito. Mas longe de serem unânimes.

Do outro lado, estão os que dizem: é fácil falar! É fácil dizer para ficar em casa, quando se tem alguma reserva financeira ou a garantia de uma salário. Como ficar em casa, se dependo do meu trabalho diário para sobreviver? Me salvo do vírus e morro, junto com minha família, de fome? O país não vai aguentar e a economia vai quebrar. Muitas pessoas vão sofrer e morrer, e a ação de combate ao Coronavírus acabará sendo mais nociva que a própria doença. Argumentos também válidos e dignos de respeito.

As discussões são intermináveis, pois mesmo os especialistas (da economia e da saúde) divergem sobre o assunto. A turma do “fique em casa” diz que os governantes são responsáveis por cuidar das pessoas mais vulneráveis e garantir-lhes auxílio financeiro suficiente. Já o pessoal do “quero trabalhar”, diz que o país não tem dinheiro para dar a tantas pessoas, sem correr sério risco de terminar colapsando economicamente, em pouquíssimo tempo. Os primeiros, ecoam os especialistas que defendem o isolamento horizontal (de todos que não tem necessidade essencial de sair). Os segundos, dão voz aos médicos e pesquisadores que defendem o isolamento horizontal (apenas de quem faz parte do grupo de risco).

Eu tenho minha opinião. Estou em um dos lados. Mas não a darei aqui, pois não é sobre isso que quero falar. Meu assunto é o ensinamento que tal situação nos dá sobre o que todo verdadeiro cristão deveria ter sobrando, mas que está cada vez mais raro de se encontrar. A epidemia nos evidencia a falta de empatia.

Colocar-se no lugar do outro, antes de emitir opiniões e sentenças, é fundamental para o ser humano, mas deveria ser regra para todo que diz servir a Deus. A empatia brota de um coração que ama, como água de uma fonte. Que o mundo seja egoísta e incapaz de se colocar no lugar do outro, tudo bem, mas a Igreja de Cristo? É muito triste. Afinal, os que seguem a Jesus são reconhecidos pelo amor, certo?

Como eu cheguei a essa conclusão, de que a divergência de opiniões na epidemia evidencia a falta de empatia, sobretudo entre o povo de Deus?

Os que defendem o “fique em casa” irredutivelmente só o fazem por não estarem passando por necessidades, que só o trabalho resolveria. E muitos desses, quando perdem seus empregos ou fontes de recursos, logo mudam de opinião. Já os outros, que defendem a volta ao trabalho, o fazem por precisarem sair de casa para sustentar suas famílias. E outros tantos desses também mudam de opinião, quando algum familiar ou conhecido fica em estado grave ou morre com a Covid-19. Isso nos mostra que uma opinião irredutível, na maioria absoluta das vezes, é pautada pela situação que a pessoa vive. Aprendemos também, que o discurso muda quando algo acontece, que faz a pessoa se colocar no lugar da outra, imaginando o sofrimento pelo qual passa, por sentir algo parecido na própria pele. Essa mudança apenas se dá por egoísmo ou por algum tipo de empatia forçada.

A falta de empatia do mundo e, infelizmente, de muitos cristãos, sempre esteve presente. Só está mais evidenciada pela situação.

Meu conselho: você pode ter sua opinião, como eu já disse que tenho. Contudo, tenha equilíbrio em suas ações e reações. Entenda o outro e seus argumentos. Antes de dar sua opinião (o que você pode fazer), seja ela de que lado for, exercite a empatia e coloque-se no lugar do que pensa diferente. Assim, o modo como você exporá seu ponto de vista será regado pelo amor de Cristo e não contaminado pelo veneno do egoísmo.

Com amor, nAquele que colocou-se em nosso lugar, pagando por nossos pecados em uma torturante morte de cruz,

Pr. Raphael Melo

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